Este vinho é Clandestino…
A agência espanhola somos, foi a escolhida para conceber esta marca de vinhos com o objectivo de futuramente a mesma ser comercializada em apenas algumas lojas de vinhos previamente seleccionadas. Pretende-se igualmente que os lotes em comercialização sejam sempre de quantidades extremamente restritas fortalecendo desta forma a marca em causa e tornando inclusive este produto como objecto de desejo pelos amantes deste sumo licoroso.
Clandestino é um vinho proveniente da região demarcada do Douro, mais propriamente do Dão. O nome deste produto surge como resultado de uma curiosidade familiar e comum naquela região do norte transmontano. Uma boa boa parte dos terrenos vinícolas desta região são de pequena dimensão e destinam-se apenas a uso interno ou familiar. O mesmo acontecia com este vinho. Clandestino, porque a produção agrícola, nomeadamente vinícola, rege-se por uma vasta série de regras de controle instituídas quer pelas adegas regionais, quer pelas entidades reguladoras. Ora, tratando-se de um produto de índole familiar, tais aspectos por vezes não eram, não são, cumpridos à risca. Com isto, não quero aqui afirmar nem sequer colocar em causa a qualidade dos produtos familiares, muito aliás, pelo contrário.
O resultado gráfico destes rótulos são uma alusão clara aos tempos em que a democracia não era propriamente um forte no nosso continente e, em que grande parte dos produtos eram alvos de uma imensa censura política e económica. Embora não seja um trabalho extraordinário em termos visuais, é inequivocamente um trabalho interessante em termos de projecto e no seu conceito básico. Agora resta-nos apenas encontrar este clandestino, e tratar-lhe da saúde.








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