Paul Cézanne – Natureza Morta com Maçãs e Laranjas

Após a apresentação que fizemos a semana passada, de uma pouco, da vida e obra de Paul Cézanne, esta semana decidimos apresentar uma das suas pinturas e descreve-la ao pormenor, frisando também os principais aspetos que dão uma identidade única a este e a muitos dos outro seus trabalhos. Como facilmente podemos constatar, Cézanne tinha uma grande tendência para pintar maças e laranjas.

Nesta pintura chamada “Natureza-morta com maçãs e laranjas” o artista não pretendeu mostrar uma representação naturalista, mas sim de uma forma intencional, expressar o artificialismo dos objetos representados. Antes de começar qualquer trabalho o artista estudava de forma extremamente cuidadosa a disposição dos objetos que iria pintar, nada era feito ao acaso, e nada era representado fora da sua intenção real.

Cézanne não utilizou o mesmo ponto de vista para pintar a perspectiva e preencher o espaço da tela, ele trabalhou em diferentes pontos de vista, produzindo diferentes planos, e permitindo uma angulação de visão diversificada. Nesta pintura específica as maças e as laranjas têm uma forma esférica muito simples, definidas somente pela cor. Desta forma em vez da maça ter uma forma distinta que depois é colorida, a cor é que é usada para forma os frutos. Uma famosa frase do artista resume muito eficazmente o seu pensamento relativo à cor, “quando a cor atinge sua riqueza, a forma atinge sua plenitude”. Cézanne “pintava luz na cor” situação que até essa data nunca nenhum artista o tinha sequer sonhado em ser possível.

Para ele, o volume dos objetos deixou de depender do claro e escuro tradicional, agora são as cores que nos dão a sensação de avanço e recuo das superfícies, como observamos nas frutas desta pintura. Os tecidos, toalhas e cortinas dão um vigor especial a todo o conjunto, as suas dobras criam vários planos que se articulam uns com os outros e dão solidez à composição. Paul Cézanne fez renascer a pintura da natureza morta, representando-a de uma forma completamente diferentes das obras anteriormente feitas deste gênero durante o período barroco, que pretendiam abordar o quotidiano da classe média em ascensão. O artista encontrou na natureza-morta ótimas condições para desenvolver seu trabalho.

Diz-se que, o tempo que o artista levava para fazer uma destas obras era tão longo que as “frutas chegavam a apodrecer”. Além disso o facto destes temas terem um aspeto quase banal, eram muito compatíveis com as intenções de Cézanne reter a essência formal de cada personagem das suas obras sem qualquer outra interferência.

Foi através dos seres completamente inanimados e irrealistas que representava nas suas pinturas, que o artista conseguiu a sua “imortalidade”.

 

Related Posts with Thumbnails

  1. No comments yet.

  1. No trackbacks yet.

Spam protection by WP Captcha-Free

%d bloggers like this: