Pretendemos ao longo dos próximos meses apresentar vários artistas plásticos e as suas respectivas obras mais marcantes.
Esta semana é dedicada a um dos grandes pintores Portugueses que só viu o seu trabalho reconhecido praticamente depois de morrer. Ainda nos dias de hoje e talvez um pouco por falta de interesse, poucas vezes é lembrado pelos portugueses.
Aqui deixamos um pouco da história da sua vida e ao longo das próximas semanas apresentaremos também alguns dos seus trabalhos.
Precursor da arte moderna, faleceu prematuramente aos 31 anos de idade vítima de pneumonia, Amadeo de Souza-Cardozo não viu o seu trabalho reconhecido.
Seguiu o mesmo trilho dos vanguardistas de todos os tempos e de todas as actividades, administrando a incompreensão alheia. À humanidade custa aceitar novos processos ou ideias e, por conseguinte, para os precursores, a apreciação objectiva e o coroamento dos seus esforços dá-se, ou no final da vida, ou somente após sua morte.
Nasceu em 1887 e faleceu em 1918, e as primeiras experiências de Souza-Cardozo deram-se no desenho, especialmente como caricaturista. Aos 19 anos, mudou-se para Paris, tomando contacto primeiro com o Impressionismo e depois com o Expressionismo e o Cubismo.
Uma das coisas que lhe valeu foi a sua aproximação com Amadeu Modigliani, de quem se tornou amigo, compartilhando com ele um atelier e até realizando exposições juntos, em 1911.

Em 1912 publicou um álbum com 20 desenhos e em seguida, copiou o conto de Flaubert La légende de Saint Julien l’Hospitalier, trabalhos que foram ignorados pelos apreciadores de arte. Este último trabalho, depois de ficar por muitos anos nas mãos do editor, acabou por ser adquirido pela própria viúva do pintor, para evitar que fosse destruído.
Depois de participar numa exposição nos Estados Unidos, em 1913, voltou a Portugal, onde conseguiu efectuar duas exposições, respectivamente no Porto e em Lisboa, que causou escândalo entre os seus compatriotas. Que fez com que as suas obras fossem criticadas e houvesse confronto físico entre críticos e defensores da arte moderna.
Depois da Primeira Guerra Mundial, em 1918, surgiu a grande oportunidade de desenvolver e encontrar o reconhecimento da sua obra, mas Souza-Cardozo não teve tempo para esperar. Morreu nesse mesmo ano e muito tempo se passou até que as opiniões fossem revistas e seu nome ocupasse o devido lugar na história da pintura portuguesa.
Em 1925, a França realizou uma retrospectiva do pintor, com 150 trabalhos, bem aceites pelo público e pela crítica. Dez anos depois, em Portugal, foi criado um prémio para distinguir pintores modernistas, que recebeu o nome de «Prémio Souza-Cardozo». Em 1953, a Biblioteca-Museu de Amarante deu a uma de suas salas o nome do pintor. Em 1958, a Casa de Portugal, em Paris, realizou uma exposição das suas obras.
Lentamente o nome de Souza-Cardozo ganhou a devida importância em Portugal.
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