Compilação dos artigos relativos às legislativas de 1995

A pedido de alguns Estudantes do curso de Imagem,  comunicação e Marketing, resolvi compilar os 4 post’s publicados sobre a análise dos outdoors das Legislativas de 1995.

OUTDORS UTILIZADOS NAS ELEIÇÕES LEGISLATIVAS DE 1995

AINDA SE LEMBRAM  DOS CANDIDATOS?

NÃO!!!!

ANTÓNIO GUTERRES (PS); FERNANDO NOGUEIRA (PSD); CARLOS CARVALHAS (CDU); MANUEL MONTEIRO(CDS/PP)

COMPILAÇÃO:

Símbolos: – Quando Edson Athayde precisou de traduzir em símbolos as diferenças que o Partido Socialista (PS) pretendia afirmar em relação ao Partido Social Democrata (PSD), decidiu apostar, entre outras coisas, num logótipos para a campanha, que iria praticamente sobrepor-se aos dois logótipos existentes (uma mão fechada, adoptada originalmente, mas que se pretendia secundarizar pelas conotações excessivamente revolucionárias, e uma rosa, resultado de «alinhamentos internacionais»).

O ambiente sociológico de então tendia a classificar o PSD enquanto «cavaquismo» burocrático (com laivos de prepotência), cinzentismo e economicismo (aqui ligado ao seu posicionamento «à direita»). O coração traduzia os valores com que a população toscamente caracterizava a esquerda, relativamente à direita (mais humanista e menos burocrática/economicista).

Recordando uma campanha de Séguéla «O coração baterá sempre á esquerda».

O símbolo facilmente reconhecível e detendo já conotações positivas apresentava uma simplicidade gráfica (quase infantil) que apoiava uma visão renovada da personalidade do PS. A assinatura «a nova maioria é nossa» acalentava o ambiente de mudança que pretendia implantar-se, afirmando um resultado final que poderia facilitar a aposta da massa flutuante que outrora havia votado no PSD (ao lado da «outra velha maioria»).

O uso do casal sobre a Bandeira Portuguesa (neste caso, figuras populares que reforçavam a visão de que «todos agora estão deste lado», posicionados do lado esquerdo do outdoor) comunicava de forma «humana» com toda a população, facilitando o uso gráfico do vermelho da esquerda e das políticas que o seu manifesto eleitoral transmitia. O slogan «a nova maioria é nossa», colocado estrategicamente no lado direito do outdoor, pretendia conquistar a massa flutuante que no passado votou no PSD

Ideias – Jorge Alves da Silva confrontou-se, nas legislativas de 1995 com uma missão ingrata: posicionar um líder que, até aí, havia morado à sombra de Cavaco Silva e que nunca chegara a ter tempo para afirmar ideias próprias, devido ao prolongado «tabu». Era preciso, por isso, fazer passar a sua imagem (o que Guterres podia dispensar nos outdoors), dar-lhe algum carisma (aproveitando o perfil de rigor herdado de Cavaco Silva, ao mesmo tempo que se diferenciava do seu tom sisudo), e apontar uma ideia que, sem poder reclamar peremptoriamente a herança da obra «cavaquista», atraísse o eleitorado até aí apostado na estabilidade e na continuidade.

Pecou, talvez, por ressaltar o ponto fraco do candidato: ausência de ideias fortes que este poderia reclamar como suas…

Assim sendo, o slogan «mais e melhor para Portugal!», foi colocado do lado esquerdo do outdoor para reforçar (na esquerda portuguesa), que o projecto começado por Cavaco Silva ainda não tinha esgotado, e que a verdadeira mudança ainda estava para chegar.

A imagem do candidato Fernando Nogueira, surge no lado direito do outdoor sobre o fundo do céu azul para transmitir transparência e serenidade na liderança que estava disposto a assumir. No entanto, Jorge Silva, planeou de forma minuciosa o Layout do outdoor.

Assim sendo, o slogan «mais e melhor para Portugal!», foi colocado do lado esquerdo do outdoor para reforçar (na esquerda portuguesa), que o projecto começado por Cavaco Silva ainda não tinha esgotado, e que a verdadeira mudança ainda estava para chegar.

A imagem do candidato Fernando Nogueira

, surge no lado direito do outdoor sobre o fundo do céu azul para transmitir transparência e serenidade na liderança que estava disposto a

Suavização – O gabinete de propaganda do Partido Comunista Português (PCP) enfrentava, nestas eleições a tarefa árdua de reposicionar o partido, definitivamente num período pós-queda do muro de Berlim.

Continuando a secundarizar a sua denominação (PCP) sob o nome de uma coligação (CDU), os comunistas precisavam de afirmar o seu «novo» líder, posicionando-se como «a verdadeira esquerda». Porém, é gritante a suavização da imagem revolucionária de cariz operário que o partido sempre assumiu.

Carlos Carvalhas, aparece de fato e gravata e bem podia ser um «capitalista», o vermelho mostra-se timidamente no fundo da assinatura (única afirmação mais revolucionária, mas demasiado quotidiana para surgir como radical) e a própria foice e martelo vem a preto sobre o branco.

Esta foto tem a vantagem de possibilitar a comparação entre o tom actual da comunicação e, em fundo, as famosas pinturas murais de épocas mais revolucionárias.

Suavização – O gabinete de propaganda do Partido Comunista Português (PCP) enfrentava, nestas eleições a tarefa árdua de reposicionar o partido, definitivamente num período pós-queda do muro de Berlim.

Continuando a secundarizar a sua denominação (PCP) sob o nome de uma coligação (CDU), os comunistas precisavam de afirmar o seu «novo» líder, posicionando-se como «a verdadeira esquerda». Porém, é gritante a suavização da imagem revolucionária de cariz operário que o partido sempre assumiu.

Carlos Carvalhas, aparece de fato e gravata e bem podia ser um «capitalista», o vermelho mostra-se timidamente no fundo da assinatura (única afirmação mais revolucionária, mas demasiado quotidiana para surgir como radical) e a própria foice e martelo vem a preto sobre o branco.

Esta foto tem a vantagem de possibilitar a comparação entre o tom actual da comunicação e, em fundo, as famosas pinturas murais de épocas mais revolucionárias. Repare-se também nas suas semelhanças com o design do outdoor de Fernando Nogueira (e nas diferenças, claro: um está colocado à esquerda e o outro á direita; um olha amigavelmente nos olhos o outro mira seriamente o infinito).

Alternativa – Um estudo qualitativo realizado em junho de 1995 apontara aos responsáveis do marketing eleitoral do Partido Popular (PP) os temas e os escalões de maior e menor importância em que deviam apostar. A afirmação da sua diferença passava, essencialmente, por reafirmar as suas posições radicais sobre a Europa, o que, indo de encontro a alguns sectores da população, o destacava claramente dos demais partidos. Por outro lado, pretendia arrecadar parte dos votos que se acreditava irem fugir ao PSD, necessitavam de atacar directamente o PS, negando-lhe a posição de alternativa real. O briefing foi dado a especialistas da EPG TWA.

Em resultado, desenvolveu-se o polémico anúncio «Portugal vende-se» e este aqui apresentado, que, usando o velho símbolo do tacho, ataca directamente a assinatura do PS.

Apesar das considerações éticas levantadas por muitos, a sua eficácia foi inegável. O posicionamento estava conseguido

.

Em termos de Layout o outdoor apresentava um fundo amarelo e um filete azul com o pack shot: «vamos dar lugar a Portugal / partido Popular». Sobre o fundo amarelo estavam colocados dois tachos o da esquerda com o slogan: «a velha maioria», fazendo referência ao PSD e ao desgaste que sofrera nos anos de governação, e no lado direito outro tacho com melhor aspecto e o slogan: «a nova maioria», anulando desde logo a assinatura do PS que tinha como slogan: “a nova maioria é nossa». É de salientar a facto de o tacho que representa «a nova maioria», estar colocado do lado direito, tendo como função anular por completo as pretensões que o PS tinha de conquistar votos à direita e à massa flutuante que outrora votara no PSD.

A imagem do candidato Fernando Nogueira, surge no lado direito do outdoor sobre o fundo do céu azul para transmitir transparência e serenidade na liderança que estava disposto a assumir.

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    • Rodrigo
    • Jan 30th. 2011 8:44am

    Tenho acompanhado este blog com regularidade, nomeadamente estes ultimos posts das campanhas de 95 e qual nao foi o meu espanto quando vejo esta suposta compilação.
    Qual a sua necessidade e utilidade?

      • rui
      • Jan 31st. 2011 12:22pm

      Caro Rodrigo, agradeço desde já a sua visita ao nosso blog.
      Espero que os posts aqui publicados correspondam aos seus gostos e às suas preferências.
      Relativamente à compilação dos artigos subordinados ao tema: “Legislativas 1995″, estes foram publicados devido ao pedido de um conjunto de Alunos da UFP.
      Relativamente à necessidade e utilidade do mesmo, caro Rodrigo, quem determina esses factores sou eu.

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